
Nossa (R)existência percorre o mundo com os pés e mentes conectados com o chão de nossos territórios ancestrais, que seguem vivos!
Estamos articuladas pela defesa de nossos corpos-territórios e pela continuidade dos nossos modos indígenas de viver.
Entendemos que a indígena mulher está diretamente conectada ao território. Somos corpo-território ao mesmo tempo. Não existe separação: violar nossos corpos é violar a terra; proteger nossos corpos é proteger o território. É assim que nos pertencemos e nos reconhecemos. Vivemos em um mundo onde corpo, território, saberes ancestrais e natureza são partes de uma mesma vida. Tudo está conectado: o que nos afeta, afeta a vida como um todo!
Atuamos na mobilização e formação política das indígenas mulheres, promovemos ações de incidência nacional e internacional, enfrentamento às violências, ao racismo e ao colonialismo e fortalecimento de políticas públicas com protagonismo das indígenas mulheres.


Das indígenas mulheres que, diante das violências históricas e atuais contra nossos corpos e povos, decidiram se levantar. Em Brasília, durante o Acampamento Terra Livre (ATL) de 2019, criamos um espaço orgânico de atuação, que se fortaleceu com a realização da I Marcha das Mulheres Indígenas, naquele mesmo ano, no dia 9 de agosto, Dia Internacional dos Povos Indígenas. Reunimos 2.500 mulheres de 130 povos sob o lema: “Território: nosso corpo, nosso espírito”.
Durante a pandemia, quando a terra gritava sob os ataques da política genocida, assumimos a linha de frente: cuidando, denunciando, articulando. Em 2020, realizamos a maior mobilização virtual de mulheres indígenas, construímos redes de apoio, levantamos planos territoriais e assumimos o compromisso de ser cura e resistência.
Foi nesse contexto de urgência e força coletiva que reconhecemos a necessidade de consolidar nossa organização. No dia 8 de março de 2021, dia Internacional das Mulheres, fundamos oficialmente a ANMIGA. Nosso Manifesto das Primeiras Brasileiras marcou esse posicionamento político. Nos estruturamos como uma rede viva, com diferentes instâncias que se alimentam da escuta, da ancestralidade e do chão dos territórios, para garantir decisão e ação política das indígenas mulheres em todos os biomas. Construímos uma estrutura política descentralizada, horizontal e viva, composta por quatro instâncias:
As Mulheres Raízes formam a nossa instância orientadora com atuação territorial.
Como reconhecemos uma indígena Mulher Raíz?
Cada território indígena indica ou elege uma mulher para exercer essa função de articulação e multiplicação local.
Funções principais:
Tempo de atuação:
As Mulheres Raízes podem atuar por dois anos, com possibilidade de renovação por meio da indicação das organizações de base de cada território.
As Mulheres Sementes formam nossa instância consultiva.
Como reconhecemos uma indígena Mulher Semente?
Indígenas mulheres que forem indicadas pelas organizações de mulheres base da ANMIGA em nível estadual, podem ser Mulher Semente.
Quando não existir organização estadual de base, a indicação é realizada pelo coletivo de Mulheres Raíz do estado.
As escolhas acontecem em encontros, assembleias, seminários ou outras ações promovidas pelas instâncias das Mulheres Terra e Raízes.
Funções principais:
Tempo de atuação:
As Mulheres Sementes podem atuar por dois anos, com possibilidade de recondução à função.
As Mulheres Biomas formam nossa instância mobilizadora, articuladora e consultiva.
Como reconhecemos uma indígena Mulher Bioma?
Podem ser indicadas como Mulheres Biomas as indígenas mulheres escolhidas pelas co-fundadoras da ANMIGA, em reuniões específicas conduzidas pelas Mulheres Terra.
Essa instância é formada por representantes dos seis biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.
Funções principais:
Tempo de Atuação:
Cada Mulher Bioma tem mandato de 4 anos, com possibilidade de recondução por mais 4 anos, conforme decisão das Mulheres Terra.
As Mulheres Terra formam a nossa instância deliberativa
Como reconhecemos uma indígena Mulher Terra?
Mulheres Terra são indígenas mulheres representantes de todas as regiões do Brasil, eleitas pelas co-fundadoras da ANMIGA.
A instância teve origem com as 20 mulheres que realizaram o primeiro encontro presencial da articulação, realizado em fevereiro de 2022, na Terra Indígena Lagoa Encantada, território do povo Jenipapo Kanindé, no Ceará. Esse encontro marcou a retomada das atividades presenciais da ANMIGA, após o período crítico da pandemia de Covid-19, e foi nesse momento em que definimos as primeiras orientações políticas e organizativas da rede.
A inclusão de novas integrantes acontece por meio de assembleia da própria instância deliberativa.
Funções principais:
Reuniões deliberativas:
As decisões da instância podem ser tomadas em reuniões presenciais, virtuais ou consultas interativas nos grupos oficiais da ANMIGA.
Na ANMIGA, tudo o que fazemos nasce da escuta e da força coletiva. Não somos uma estrutura vertical: somos uma rede viva, em movimento, com decisões construídas a partir dos territórios, das experiências e dos caminhos que trilhamos juntas.
Nos organizamos por três formas principais de atuação: deliberativa, consultiva e executiva. Cada uma com um papel essencial para manter nossa articulação firme, coerente com nossas raízes e guiada pela ancestralidade.
É assim que funcionamos: com os pés na terra, a escuta ativa entre nós e a firmeza das decisões coletivas.
Somos muitas, mas caminhamos como uma só rede, guiadas pelo que somos: raiz, semente, bioma e terra. Todas juntas. Todas vivas.
As decisões mais importantes da ANMIGA são tomadas pelas Mulheres Terra, responsáveis pela nossa instância deliberativa. São elas que carregam a responsabilidade de escutar todas e indicar os rumos da nossa articulação. Mas nenhuma decisão nasce sozinha. Todas as deliberações são resultado dos diálogos com as Mulheres Raíz, Sementes e Biomas, que fazem chegar as vozes de cada território até o centro da rede.
A cada dois anos, realizamos a Marcha das Mulheres Indígenas, momento sagrado de encontro, escuta, construção de pautas e definição dos caminhos que queremos seguir. Além da Marcha, nossas deliberações acontecem também em reuniões virtuais, assembleias, encontros e seminários, espaços que podem ser convocados tanto pelas Mulheres Terra quanto pela Diretora Executiva, conforme nossa necessidade política e coletiva.
As Mulheres Raíz, Mulheres Sementes e Mulheres Biomas formam nossas instâncias consultivas e orientadoras. São essas mulheres que estão no chão do território, escutando as bases, mobilizando saberes e necessidades, construindo propostas a partir da vivência nos biomas e aldeias. São elas que alimentam, com suas análises e propostas, os espaços de decisão da ANMIGA.
Nada é decidido sem diálogo. Nada é construído sem acolher o que vem da terra.
Para que tudo o que decidimos ganhe forma no mundo, temos também uma instância executiva: a Diretoria Executiva. Ela é formada por uma Diretora Executiva, indicada pelas Mulheres Terra, e até sete coordenadoras com responsabilidades nacionais e internacionais.
Nossa Diretoria Executiva é responsável por transformar as decisões em ações: coordenar as frentes de trabalho, acompanhar a equipe, garantir a execução dos projetos e mobilizações, fazer contratações e responder às urgências, sempre em consonância com o nosso regimento e com a Carta de Princípios da ANMIGA.
Atualmente, a Diretoria se organiza nas seguintes frentes:

O IGA (Instituto Guardiãs da Ancestralidade) é a personalidade jurídica da ANMIGA. Formalizado em 2024, é um instituto civil sem fins lucrativos que representa legalmente nossa articulação. Sua criação fortalece nossa autonomia administrativa, permitindo que caminhemos com mais estrutura e segurança nos processos de gestão e incidência.
Desde que começamos a nos organizar, ainda sem personalidade jurídica própria, contamos com o apoio de parceiros como o Instituto Shirley Krenak (ISDK), que esteve ao nosso lado na administração de projetos e na viabilização das primeiras ações da ANMIGA. Esse apoio foi essencial para que a rede pudesse florescer mesmo antes de ter seu próprio caule institucional.
Hoje, com o IGA, avançamos para consolidar nossa capacidade de gestão de forma interna e alinhada com nossos princípios. O instituto existe para apoiar juridicamente e administrativamente a ANMIGA, dando sustentação à execução dos nossos projetos, ações nos territórios e presença política nos espaços de decisão. É mais uma ferramenta a serviço da luta das indígenas mulheres, feita por nós e para nós.



